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Um dia depois do ano passado

Um dia depois do ano passado

hoje, tudo mudou .

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Lembra-te de arrumar a casa quando chegares. Sabes que eu não estarei e talvez chegarás mais tarde. Para que o silêncio pareça menor, para que a solidão não te abraçe por mais do que umas breves horas de sono. Vais chegar embriagado. Vais querer ter o relógio parado. Voltar atrás. Voltar a ter-me, mas sabes que isso não vai acontecer. Sabes que desta vez, erraste. Mais do que todas as outras. Usaste e abusaste. Hoje, quando chegares, vais ver os móveis com o pó acumulado dos longos dias em que me prendia apenas em ti, nada mais interessava. Hoje, vais ver o sorriso que tinha, naquela fotografia, por estar bem junto a ti. Vais ver os meus cabelos espalhados pelo chão. Vais sentir a essência do meu perfume pelo quarto. Vais querer olhar-te ao espelho e ver, ao teu lado, o meu reflexo.Vais querer muito mais do que o que tens. Vais querer o que tiveste. O que era só nosso. Vais achar a cama demasiado grande para o teu corpo. Vais achar que tens pouca roupa, porque o armário está vazio. Vais ver e rever o cartão de memória da tua máquina fotográfica e vais sentir saudade de cada momento. Vais ter na memória tudo o que não foi captado. Vais sentir saudade. Do que outrora fomos. Do que te fiz ser.

Hoje, estás perdido.

Lembra-te de chegar a casa. Promete-me isso.

Deixei de ser o tempo que esperava por ti nos teus atrasos sucessivos.

Hoje, há uma outra casa. Com uma fechadura nova. 

 

[ficção.]

o que é .

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Fala-me dessa alvorada que te traz na margem do rio. 

Da madrugada em que te abraço.

Do fim de tarde em que somos paisagem.

Do olhar escaldado pela tua voz.

Do sorriso (des)encontrado nos teus lábios.

Da bagagem que te acorrenta ao cais.

Não é amor.

É fogo.

Que de tanto arder, seduz.

Irradia sintonia.

Perdida na poesia.

Dessa ousadia.

Fazes versos sem saber.

Conjugas o imenso, com tão pouco.

Se soubesses que tens a caligrafia mais bela,

quando fazes do meu corpo a vela,

que cria a chama,

disto.

Que não sei o que é.

Que só por ser, é.

Que é.

 

 

 

 

a incógnita .

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 A vida num todo. Elevada ao expoente máximo. Definindo a incógnita no infinito. Uma ciência que de exata nada tem. Paira na incerteza. Dá lucro por não cair na monotonia. Por ter altos e baixos. Por surpreender e entristecer. Por ser mágoa e alegria. Um turbilhão de sentidos que a moldam e lhe conferem tonalidade.

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